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A busca pelo corpo perfeito

Até que ponto vale a pena recorrer à intervenções cirúrgicas com finalidades apenas estéticas? Bem, bons profissionais da área acreditam que os procedimentos quando envolvem a saúde, o bem-estar e a autoestima dos pacientes devem sim ser considerados. Já enfrentá-los somente por modismo é, segundo eles, um preço muito alto a se pagar. Cirurgia plástica não é brincadeira, alertam!

A busca por um corpo perfeito e por um padrão de beleza impostos, muitas vezes, pela mídia e pela sociedade, geralmente bem distantes da vida real, têm levado milhares de pessoas a enfrentar cirurgias e procedimentos estéticos invasivos de forma totalmente irresponsável e desnecessária. Isso sem falar, é claro, quando algumas intervenções não levam inúmeras outras a desfigurar a própria imagem, uma situação bastante comum nos dias de hoje.

Obviamente, quando a decisão por realizar os procedimentos é tomada de forma consciente, com expectativas condizentes com a realidade e com conhecimento dos riscos inerentes à toda intervenção, o resultado pode sim trazer benefícios para a qualidade de vida e para a autoestima das pacientes. Porém, quando idealizados em padrões que nem mesmo estão dentro de limites viáveis ou permitidos a quem deseja realizá-los, a decisão pode ser perigosa.

Além de um resultado não esperado, talvez pelo procedimento ter sido realizado apenas por puro modismo, tendo em vista um outro padrão de beleza ou novas tendências cirúrgicas do mercado, essa busca desenfreada pode, segundo o Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica, acarretar não somente em problemas estéticos, mas também em transtornos e síndromes como depressão, estresse, problemas financeiros, problemas de autoestima, sentimentos de inadequação e distúrbios alimentares.

O conselho do cirurgião plástico Renato Carvalho, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), maior grau de titulação existente para um cirurgião plástico, é: “jamais permita que os ‘padrões de beleza’ impostos pela mídia te induzam a buscar uma cirurgia plástica.

Os procedimentos em números

De acordo com dados da última pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a procura por cirurgias estéticas aumentou 25,2% entre 2016 e 2018. Foram realizados 1.742.861 procedimentos, em 2018, sendo 60,3% deles para fins de harmonia facial e corporal. Conforme a pesquisa, pessoas entre 36 e 50 anos são as que mais realizam cirurgias plásticas (36,3%), seguidas das com idade entre 19 e 35 anos (34,7%).

Entre as intervenções com fins estéticos mais procuradas, a cirurgia para aumento de mama (18,8%) e a lipoaspiração (16,1%), procedimento realizado com o objetivo de remover acúmulos de gordura localizadas nas áreas do abdômen, costas, coxas, braços e cintura. Os números, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), colocam o Brasil em segundo lugar no ranking dos países que mais realizam procedimentos estéticos no mundo.

Cirurgias estéticas mais realizadas no Brasil

1º Aumento de mamas: 18,8%

2º Lipoaspiração: 16,1%

3º Dermolipectomia abdominal: 15,9%

4º Mastopexia: 11,3%

5º Redução de mama: 9,9%

Expectativa x Realidade

Para Renato Carvalho, profissional graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pós-graduado pela Universidade de São Paulo (USP), com mais de 25 anos de experiência como cirurgião, ao procurar a cirurgia plástica o primeiro passo é buscar informar-se sobre as reais possibilidades que podem ser oferecidas e suas limitações.

Segundo o médico, os procedimentos buscam os melhores resultados possíveis, entretanto, é importante entender que existem restrições para evitar expectativas que vão além dos limites permitidos a cada pessoa. “Muitas vezes, recebo pacientes com expectativas muito altas sobre a cirurgia plástica. Eu sempre tento realizar o sonho delas, mas, infelizmente, nem todos os desejos podem ser cumpridos devido a limites anatômicos. O corpo e a face de cada um são únicos e isso precisa ser respeitado no processo cirúrgico. Nem sempre o biotipo de um paciente é adequado às mudanças que ele sonha em fazer”, afirma ele.

“Se amar, se aceitar e se sentir bem consigo mesmo é a maior prova de amor que alguém pode demonstrar ao seu corpo. A cirurgia plástica pode reparar, da forma mais sutil possível, aquilo que algumas vezes incomoda. Já mudanças radicais, expectativas irreais e padrões de beleza não fazem parte do objetivo de um procedimento. O que me motiva diariamente na minha profissão é respeitar o corpo e valorizar a beleza natural de cada paciente. Não existe milagre quando o assunto é plástica”.

E o profissional faz questão de lembrar: plástica não é mágica! É ciência, responsabilidade e especialização. Quando bem indicada, ela é capaz de melhorar questões funcionais do corpo, resolver traumas e complexos, além de dar um up no visual e na autoestima de alguns pacientes. O que deve ser criticado não é a especialidade, mas a banalização estética, os excessos e os procedimentos midiáticos sem fundamento científico.

“A beleza vai muito além da aparência, é saúde, inclusive mental. A cirurgia plástica foi desenvolvida para harmonizar e aperfeiçoar características e, desde o seu surgimento, prioriza oferecer bem-estar físico e emocional. Uma mulher que perdeu os seios devido a um tumor de mama, por exemplo, pode conquistar sua autoestima e alegria de viver após a reconstrução mamária. Então, a plástica, com recomendação e equilíbrio, pode ajudar muito nessa caminhada”.

Banalização dos procedimentos

O motivo pela procura de uma cirurgia plástica, quando não envolve questões de saúde, é sempre o mesmo: a busca pelo corpo ideal. Motivadas muitas vezes pelas mídias e redes sociais, diversas pessoas são instigadas a buscar o padrão de beleza de uma outra, ignorando, inclusive, os riscos que as cirurgias oferecem.

Totalmente contra a banalização dos procedimentos e a indicação sem critérios científicos de procedimentos ditos “estéticos”, especialmente realizados por aventureiros e “pseudo-celebridades” midiáticas (médicos ou não), a filosofia de trabalho do cirurgião Renato Carvalho é pregar a saúde física e integridade mental do paciente antes de qualquer intervenção.

“Tenha cuidado com a comercialização da estética. Nunca se deixe influenciar por modismos ou decida realizar um procedimento sem consultar presencialmente um cirurgião plástico experiente. Como eu sempre digo, a cirurgia plástica não é produto, tampouco uma mercadoria. É uma mudança muito séria, que afeta a imagem física e a saúde psicológica do paciente. Vou sempre priorizar a ética e a saúde! Não faço postagens com modelos editadas em programas de computador e nem crio textos com promessas milagrosas que ignoram totalmente os limites da ciência e segurança médica”.

Orientações e cuidados

Renato Carvalho ressalta, por fim, que cirurgia plástica deve estar sempre aliada a ideia de saúde e bem-estar. Segundo ele, definir o corpo não deve ser um objetivo que se busca a qualquer custo, para ficar parecido com um atleta ou uma influenciadora digital.

“Espelhe-se em você, não nos outros. Prefira buscar, se necessário, o autoconhecimento e fortalecer sua autoestima com o auxílio de um bom terapeuta. Fuja de profissionais que visam somente o dinheiro e não se importam com sua saúde ou história de vida. Buscar pertencer a um certo padrão só faz crescer o número de pessoas infelizes com a própria imagem”.

E atenção, ressalta o médico! A verdade por trás dos procedimentos estéticos pode ser assustadora se o paciente não souber escolher o profissional adequado ou a hora de parar. Alguns tratamentos que se popularizaram através das redes sociais, como a harmonização facial, se não forem realizados com os devidos cuidados podem resultar em verdadeiras catástrofes.

Então, para qualquer procedimento realizado, é importante que o paciente conheça bem a estrutura da clínica e a experiência do profissional que realizará o processo, que nunca deve ser feito fora de ambiente hospitalar!

Fotos “Antes e depois”

Fique atento também à publicação de fotos mostrando o “antes e o depois” de procedimentos. Sempre polêmicas e gerando muita discussão, as imagens, proibidas aos profissionais médicos, podem criar falsas expectativas, uma vez que, além de poder serem manipuladas, podem ainda sofrer mudanças com a interferência da iluminação e posicionamento do paciente.

Para conscientizar a população sobre o tema, a SBCP criou no ano passado, inclusive, a campanha digital “Não existe milagre: existe ciência, responsabilidade e especialização”. As peças publicitárias mostram, por exemplo, o passo a passo de retoques digitais nas imagens e como a postura ou o ângulo alteram o resultado final. “Resultados reais não estão relacionados única e exclusivamente à cirurgia. Eles dependem, também, da adoção de hábitos saudáveis, acompanhamento multiprofissional e cuidados pós-operatórios”.

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