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Cirurgia de transição de gênero

A cirurgia de redesignação sexual, transgenitalização, ou neofaloplastia, popularmente conhecida como cirurgia de mudança de gênero, é feita com o objetivo de adequar as características físicas e dos órgãos genitais da pessoa transgênero, de forma que esta pessoa possa ter o corpo adequado ao que considera adequado para ela mesmo.

Porém é importante lembrar que o procedimento vai muito além da mudança do órgão genital. Por isso, para realizar a cirurgia é preciso fazer acompanhamento por pelo menos um ano com uma equipe médica multidisciplinar composta por cirurgião plástico, psiquiatra, endocrinologista, ginecologista, urologista e pediatra.

Cenário brasileiro

A primeira cirurgia foi em 1971, mas o Conselho Federal de Medicina só se manifestou a respeito nos anos 90. Desde 2008, o SUS faz procedimentos como cirurgia de readequação sexual e terapia hormonal. Naquele ano, foram 101 cirurgias. Em 2014, 3.157. Estima-se que, para fazer a cirurgia no Hospital das Clínicas, em São Paulo (um dos cinco centros que fazem o procedimento), a espera chegue a 20 anos. Por esse motivo, muitos pacientes recorrem a cirurgiões particulares.

Construção da genitália feminina

Na construção da genitália feminina, os testículos são removidos e a pele do pênis é invertida para formar o interior da nova vagina (incluindo seus vasos sangüíneos e terminações nervosas). O clitóris é feito a partir da glande (a ponta do pênis). 

Para permitir que o novo canal vaginal permaneça viável e não se feche, é utilizado um molde vaginal, que pode ser trocado por tamanhos maiores ao longo das semanas para a dilatação da neovagina.

Cuidados após a cirurgia

Atividades físicas e a vida sexual são liberadas após cerca de 3 a 4 meses após a cirurgia. Normalmente é necessário o uso de lubrificantes específicos para a região durante as relações sexuais. 

Além disso, é preciso ter acompanhamento com ginecologista, para orientações e avaliações da pele da neovagina e uretra. Como a próstata permanece, também é necessário a realização de consultas com o urologista.

Construção da genitália masculina

Para a construção da genitália masculina, é feita uma incisão na pele ao redor do clitóris, de modo a liberar o órgão do osso púbico para formar o neopênis. Os tecidos mucosos da vagina e os pequenos e grandes lábios revestirão e darão volume ao membro.

Outro método para a construção do neopênis é a faloplastia, que usa enxertos da pele, músculos, vasos e terminações nervosas do antebraço ou da coxa do paciente. A partir desta pele é criado uma espécie de cilindro onde é inserido um tubo que funcionará como a uretra.

Cuidados após a cirurgia

Para a complementação do processo de masculinização, é necessária a remoção do útero, ovários e seios, o que pode ser feito já durante o procedimento ou pode ser agendado para um outro momento. Geralmente, a sensibilidade da região é mantida, e o contato íntimo é liberado, após cerca de 3 meses.

Estudos mostram que raramente há arrependimento da decisão de se realizar uma cirurgia e ratifica a necessidade de outros procedimentos após a cirurgia primária. Portanto, a realização da cirurgia de redesignação sexual assegura o direito de indivíduos que não se enxergam no gênero do seu sexo biológico, e dessa forma, garante o princípio da integralidade do SUS.

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